Praça de Aulas

Praça de Aula é um projeto de pesquisa e extensão concebido e realizado pelo GeMAP em conjunto com a Associação Imargem no Jardim Gaivotas, nas margens da Represa Billings, Zona Sul de São Paulo. O coletivo Imargem tinha a noção de um espaço público no bairro como extensão das atividades socioeducativas que aconteciam em sua sede no Gaivotas, da parceria surgiram ações e discussões no formato de projeto, ou seja, problema, métodos, ações, resultados e avaliações.

O Ateliê da Margem, ou a “Casinha”, sede física da Associação Imargem (coletivos Imargem, Navegando nas Artes, O Que Cabe no Meu Prato e Roda de Afeto Arte e Cultura), configura-se como um local de soluções inovadoras nas áreas científica, cultural, social e artística, atuando por meio da troca de conhecimentos, sustentabilidade, articulação e produção compartilhada. Nas ações realizadas no Ateliê, a arte é entendida como instrumento de expressão e diálogo; a convivência, como um mecanismo para explicitar interesses, construir consensos e enfrentar preconceitos; e o meio ambiente, como o resultado da relação entre a ocupação humana e os territórios urbanos.

Embora localizada no Jardim Gaivotas, a Imagem atua com parceiros em diversos territórios nas bordas da represa, um deles, a Casa Ecoativa no Bororé, onde o GeMAP por seis anos realizava trabalhos com extensão. A nossa relação com o Imargem começou naquela ocasião e desde então realizamos vários trabalhos em conjunto, entre eles o mapa da Ilha do Bororé pintado por crianças no espaço público e Ilha em Mim, instalação na Bienal de Arquitetura de São Paulo. 

Esse vínculo se fortaleceu diante da chegada da intervenção urbana do Parque Linear do Programa Mananciais, promovida pela Prefeitura Municipal de São Paulo. Com o início das remoções no Jardim Gaivotas, o Imargem — que há anos utiliza a margem da represa como território formativo, educativo e ambiental — reivindicou junto à Prefeitura uma área dentro do parque para gestão comunitária e continuidade de suas atividades. Na ocasião. 2022, A Associação convidou o GeMAP para discutir o impacto no território e estratégias para enfrentá-lo. Deste encontro surgiu o projeto Praça de Aulas que foi selecionado no Edital Divulgação científica e educação museal em espaços científico-culturais e financiado pelo CNPq.

Seu objetivo fundamental é a difusão científica e cultural nas bordas da cidade, promovendo o acesso democrático ao conhecimento e à valorização dos saberes locais. Partiu da compreensão de que o território não é apenas um espaço físico, mas um dispositivo potente na formação crítica de sujeitos, capaz de gerar conhecimento situado e transformador. Nesse sentido, a proposta articulou práticas educativas, artísticas e investigativas como estratégias para ativar o espaço público como plataforma de diálogo entre ciência, arte e cotidiano.

O argumento central para o CNPq foi o da capilaridade da difusão científica e cultural: se há real interesse em democratizar a ciência e a cultura no Brasil, é preciso expandir sua presença e ação para os territórios onde não há equipamentos públicos consolidados, mas onde há potência, saberes e coletivos organizados. Para sustentar essa proposta, foi desenhado um projeto metodologicamente amparado pelo diálogo com a comunidade local, com foco nos estudos territoriais e nos processos participativos da sociedade civil frente à produção da cidade.

O projeto Praça de Aulas foi executado como uma proposta de educação territorial, pesquisa engajada e valorização da cultura periférica, combinando ação direta no território com sistematização científica. Sua estrutura em oficinas e depois em grandes festivais permitiu a atuação transversal entre diferentes campos do conhecimento – artes, ciências sociais, educação ambiental, geografia e urbanismo – e o envolvimento direto da população como protagonista da construção e difusão do saber.

Na direção da produção científica, o principal produto foi o Seminário e publicação dos anais. O Seminário Territórios da Praça: o espaço público e a educação nas periferias em debate que contou com 23 apresentações de trabalhos, 7 delas de fora do estado de São Paulo e 2 de fora do Brasil; foram 3 mesas de debates, duas delas com convidados internacionais. Tivemos cerca de 70 participantes entre presenciais e on-line.

Galeria

2022 – 2026
Jardim Gaivotas – Grajaú, São Paulo
Parcerias
Associação Imargem
E.E. Prof. Benedito Siqueira
E.M.E.F. Jardim Sipramar

Equipe

GeMAP
Jorge Bassani (Docente FAU-USP – coordenador
Carlos Hidalgo (Doutorando FAU-USP)
Carolina Clasen (Doutoranda FAU-USP)
Cauê Maia (Pós-doutorado FAU-USP)
Fabiana Duffrayer (Doutoranda FAU-USP)
Heloisa Ribeiro (Mestranda FAU-USP)
Leticia Borém (Doutoranda FAU-USP)
Mariana Pardo (Doutoranda FAU-USP)
Analu Garcia (Doutoranda UFBA)
Luciano Nascimento (CASCO)
Marcos Martins (Docente UFES)

Associação Imargem
(Imargem, Navegando nas Artes, O que Cabe no Meu Prato, Roda de Afeto, Arte e Cultura)
Estela Cunha Criscuolo (Permacultura)
Francimeyre de Oliveira Souza
Franz Thomas De Oliveira Souza (Navegação)
Jonatas Rodrigues (Artista)
José Lucas de Araújo (Navegação)
Kimberly Marques (Alimentação saudável)
Lais Guimarães Ferreira (Navegação)
Luciana Evangelista (Alimentação saudável)
Vânia Maria Ferreira dos Santos
Graciele Guedes
Wellington Neri da Silva (Tim) (Artista)
Yuri Gabriel (Navegação)

Bolsistas de graduação
Celso Amaral Pereira (Arquitetura)
Beatriz Camera Menezes (Arquitetura)
Larissa Silvestre de Bessa (Arquitetura)
Lorena da Cruz de Oliveira (Geografia)
Natalia Hiromi Guimaraes Yoshikawa (Arquitetura)
Nicole Garcia (Arquitetura)
Pedro Henrique de Sa Gilli (Geografia)
Regis Fernando Camargo Santos (Arquitetura)
Vitoria Maria Araujo Costa (Arquitetura)

Publicações

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