Contracartografia do Grajaú: Repensando o território a partir das vivências

Jorge Bassani

Partindo-se da consciência e compreensão do território como elemento transformador e formador do
sujeito, entende-se a necessidade da discussão da territorialização como uma ferramenta pedagógica
e política. Esse pensamento pode ser encontrado em debates em cursos de Arquitetura e Urbanismo.
No entanto, quando se expande esses limites disciplinares e alcança-se outros espaços e agentes,
como escolas, por exemplo, a discussão ganha uma nova força. As escolas caracterizam-se como
agentes do território que apresentam um grande potencial transformador. Quando tal potencialidade é
associada ao conhecimento técnico produzido nas universidades, os resultados gerados podem
impactar a sociedade produzindo reais transformações sociais naquele determinado território. Esse
processo pode ser notado em projetos de extensão universitária. O objetivo do artigo é apresentar
uma reflexão sobre os desdobramentos da relação sociedade-universidade que visam repensar as
formas de produção do espaço e ressignificar a relação do sujeito com seu território, a partir das
experiências do projeto “Revisitando o território: novas percepções sobre o Grajaú”, realizado com
apoio do LABHAB da FAUUSP, em parceria com a Escola Estadual Professor Adrião Bernardes.
Localizado no extremo sul da cidade de São Paulo, na região dos mananciais, o território estudado
apresenta complexidades distintas de outros extremos periféricos da cidade. Somam-se às questões
de vulnerabilidade social, os aspectos ambientais determinantes na região, que acabam, muitas
vezes, criando novas barreiras e reforçando a segregação e exclusão dos habitantes. Sob essas
condições, discutir o papel do território no entendimento da cidadania é fundamental. Quando essa
reflexão é trabalhada desde a infância e adolescência, é possível formar sujeitos que se posicionem e
se apropriem da cidade de maneira mais segura e sólida. Por meio de oficinas de cartografias
afetivas e sociais e derivas pela região, têm-se olhado para o território sob diferentes perspectivas,
construindo com os alunos da escola reflexões sobre o lugar onde vivem chegando ao debate de
direito à cidade.
PALAVRAS-CHAVE: Território; direito à cidade; cartografia; extensão.

BASSANI, Jorge ; MASSIMETTI, F. T. ; RODRIGUES, M. . Contracartografia do Grajaú: Repensando o território a partir das vivências. 2018. (Apresentação de Trabalho/Congresso)

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